Forte Cultural


13/06/2007


Menina (EdiSilva)


Esta menina não conhece:
O toque do tambor.
Esta menina não conhece:
O canto da cigarra.
Esta menina não conhece:
O bom do meu amor.
Esta menina só conhece:
O toque da guitarra.

O vaga-lume que avoa lá na serra
Sabe mais da nossa terra
Que o diploma do doutor
O passarinho, só cuidando do seu ninho
Voa longe, vai sozinho
Não carrega minha dor.

Menina moça, que o amor não viu ainda
Eu espero pela vinda
Do seu beijo me acordar
Da minha torre eu anseio pelo sonho
Do pesadelo medonho
Ela vai me despertar.

Escrito por EdiSilva às 14h13
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Estamos ensaiando o espetáculo "Mateus e Bastiana contra o Bicho de Fogo" às segunda e quartas, de 19:00 às 22:00 horas. Segunda-feira no SESC, Taguatinga Norte e quarta-feira no Invenção Brasileira.
Os ensaios de "O Romance do Pavão Misterioso" acontecem todas as quintas no SESC Taguatinga Norte. Agora estamos ensaiando mais vezes, devido às apresentações previstas para os dias 28 e 29, no SESC de Taguatinga Norte. Estas apresentações serão fechadas para os alunos do SESC.

Escrito por EdiSilva às 08h46
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13/05/2007


A Cia Imaginária está começando um novo trabalho: "Mateus e Bastiana contra o Bicho de Fogo".

Equipe de produção:

Direção: Walter Cedro

Assitentes de direção: Luciana Albertin e EdiSilva

Texto: EdiSilva

Elenco: Camila Paula, Dayanne Dafne, Dielle Mendes, Eliane Araújo, Felipe de Melo, Francisco Costa, Janaína Botelho, Krislane Andrade, Mariana de Araújo Neiva, Caio, Thamires Borges, Larissa e Ednaldo.

Produção: Cia Imaginária de Teatro, com apoio do Ponto de Cultura Invenção Brasileira.
Agradecemos o espaço para ensaios cedido pelo SESC de Taguatinga.
Patrocínio: Construmax.

Apoio: Ministério da Cultura, Cultura Viva, SPPC.

Escrito por EdiSilva às 10h59
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AO PÓ (EdiSilva)


O peito ferido,
O olhar mortal,
As flores, o chão.
Letal é a mão
Que me mostra o caminho
Dos seus olhos.

Um vôo,
Os pedações do nada
E nada que não era
Pode agora ser.
A água que lava
A rua,
Guia ao esgoto,
Que é muito bom
Se não há você.
E não há.

Se não há você,
Eu não sou!

Escrito por EdiSilva às 10h54
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25/04/2007


HOMEM PRIMATA - A FORÇA NATURAL (EdiSilva)


Numa planície distante da capital vivia um homem solitário que não conhecera nenhum outro ser humano. Os seus dias ele ocupava com a caça de comida, fosse ela vegetal ou animal. Não tinha casa, caverna, ou qualquer abrigo. Dormia sobre as árvores para se esconder dos predadores. Caçava com as mãos, pois não conhecia o uso de ferramentas de qualquer espécie.

Certo dia, enquanto andava pelos campos ä busca de algum alimento, avistou um animal estranho, que como ele, andava sobre duas pernas. O corpo era parecido com o seu, mas alguma coisa parecia cobrir-lhe a pele, que, onde podia ser vista, era alva, quase transparente. Os cabelos ficavam presos no alto da cabeça, com apenas algumas pontas soltas, caindo-lhe pelas costas.

Ele acompanhou aquela figura por algum tempo, observando cada movimento, os quais tentava imitar, sem no entanto consegui-lo totalmente.

Gostava do que via. A outra criatura o atraía e ele não conseguia tirar os olhos dela, que parecia flutuar sobre o chão. Era pura leveza e graça. Ele estava enfeitiçado.

Ela abaixou-se e pegou algumas flores, levou-as ao nariz e depois seguiu andando, soltando alguns sons estranhos de sua boca. Sons bonitos. Ele a seguiu, pegou das mesmas flores, levou-as ao nariz, não entendeu o que ela fizera e comeu as flores.

Agora já não se escondia tanto, ficara descuidado, pois não sentia sensação de perigo e já a acompanhava mais de perto, sentindo até mesmo o seu cheiro, um cheiro diferente, bom.

De repente ele ouviu um barulho que bem conhecia. O rosnado de uma fera, que ele sabia ser perigosa. O rosnado fora suave e imperceptível para ouvidos não acostumados como os seus. Olhou em volta, cuidadosamente e identificou dois olhos por entre a vegetação. Os olhos estavam fixos na figura que o homem seguia. A fera esgueirava-se por entre a densa vegetação, pronta para o bote. Ele deu a volta por trás do animal, procurou um possível refúgio, avistando uma árvore que se encontrava na beira de um precipício, projetando alguns galhos finos por sobre o buraco. Ele fez barulho chamando a atenção do predador. Assim que a fera o avistou, virou-se rapidamente em sua direção, soltou um rosnado e partiu em seu encalço. O homem correu na direção da árvore, pulou nos galhos finos, com o animal logo atrás. Desviou o corpo, mudando-se para o outro lado da árvore, fazendo com que o animal sumisse no grande precipício. Em seguida homem olhou para o local onde ficara a criatura que ele seguia e que acabara de salvar, avistou-a, que agora o olhava admirada, e, pulando da árvore, foi em sua direção. Sentia agora uma outra sensação, da qual havia se esquecido por algum tempo.

Chegando perto do estranho ser, pulou em sua garganta, virando rapidamente o seu pescoço para trás, até ouvir um estalo. O animal parou de se mexer, o homem cravou-lhe os dentes no pescoço e saciou aquela dor que lhe atingia o estômago.

Escrito por EdiSilva às 15h27
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24/04/2007


TRINDADE (EdiSilva)

Às vezes as paredes se fechavam em torno dele, fazendo pressão sobre sua mente.
Luzes espocavam em seus olhos. As luzes eram parte dele, mas cansavam seus olhos.
A vida faz parte do mundo, mas a vida destrói o mundo; o homem é a vida e a vida não existe.
Foram dois meses de dor. Não física, porém de perda. Perda de tudo o que o fazia feliz, mas ele era feliz?
Não há resposta negativa para uma pergunta como esta. Não se perde a infelicidade, nem mesmo a tristeza. Não há saudade de maus tempos porque somente a alegria passada traz o vazio no peito.
O mundo morreu sob toneladas de átomos partidos. Melhor dizendo, quase morreu. Uma vida restou sobre a terra. Um homem sobreviveu. Talvez já não viva hoje, pelo tanto que se mortificou em cada hora e minuto de busca sem resposta.
Hoje a corda corria no laço em volta de seu pescoço. Ele não tentava perder a vida, esta ele já não possuía. Queria somente o esquecimento.
Os segundos nos quais tudo aconteceu foram horas e meses em sua mente e era o que restava de suas lembranças.
A voz que ele ouvia não soou como algo perdido, era real e estava ali.
Ele olhou em volta e viu a mulher que lhe trazia flores e as flores eram rosas brancas.
O homem lhe entregou a chave e lhe disse, com sua voz limpa e forte:
- Abra as portas do mundo!
E a criança então lhe deu as costas e voou sorrindo em direção às montanhas que brilhavam no azul celeste.
Pai, mãe e filho. A vida e a continuação da vida, unidos em único ser. O seu sonho.
Paz, esperança e futuro.
A montanha mutou-se em vida e deu frutos.
Ante os olhos do homem com sua corda na mão, passaram-se séculos de prodígios. E cada nova geração, para sua alegria, era forte em memórias dos erros e acertos passados.
A memória do mundo era os olhos do homem, que a tudo assistira e com tudo sofrera.

Escrito por EdiSilva às 08h01
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23/04/2007


O LIVRO (EdiSilva)

O que foi você p´ra mim?
Um livro,
Que traz descrita cada palavra,
Sentimento a sentimento,
Lágrima a lágrima,
Momento a momento.

Findo o livro,
Cerro a capa
E começo um novo.
Ainda sem título,
Ainda sem dona.

O outro?
Eu não leio mais.

Escrito por EdiSilva às 15h00
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20/04/2007


A LADRA (EdiSilva)


Chamem o táxi de volta!
A ladra decidiu-se: partirá!

Depois de remexer todos os cantos,
Revolver as carnes úmidas e quentes
E, num ato de selvageria e desumanidade,
Atravessar minhas costelas com seus olhos de cupido
E tomar de assalto o meu coração,
Ela partirá com o produto do seu roubo.

Ela o jogará em um monte qualquer,
Pois nada lhe vale.
Não lhe lançará olhos, nem cuidados.
Apenas o deixará no meio do entulho,
Entre troféus de que ela não se lembrará.

Escrito por EdiSilva às 14h23
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22/03/2007


Tem dia que é assim: a realidade te chama pra conversar e te dá um soco na cara.

Escrito por EdiSilva às 09h57
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Creep
Radiohead

When you were here before,
Couldn't look you in the eye.
You're just like an angel,
Your skin makes me cry.
You float like a feather,
in a beautiful world
I wish I was special,
You're so fuckin' special

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts,
I want to have control.
I want a perfect body,
I want a perfect soul.
I want you to notice,
when I'm not around.
You're so fuckin' special
I wish I was special

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

She's running out the door,
she's running,
she run, run, run, run, run.

Whatever makes you happy,
whatever you want.
You're so fuckin' special,
I wish I was special,

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.
I don't belong here.

Escrito por EdiSilva às 09h55
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21/03/2007


A Cia. Imaginária de Teatro concluiu no final de dezembro/2006 o projeto "Luz da Terra", com diversas apresentações da peça, nas quais obteve ótima resposta do público.

As apresentações aconteceram no SESI, em Taguatinga, em escolas, na Grande Fraternidade Universal, em Santo Antônio do Descoberto, em Olhos d´Água/Go e no teatro do Ponto de Cultura Invenção Brasileira, em Taguatinga/DF.

Participaram desta produção:

Direção: Walter Cedro

Assitentes de direção: Luciana Albertin e EdiSilva

Adaptação do texto: EdiSilva

Elenco: Andrina Pontes, Camila de Sousa, Camila Paula, Dayanne Dafne, Dielle Mendes, Eliane Araújo, Felipe de Melo, Francisco Costa, Hauni Tupinambá, Janaína Botelho, Krislane Andrade, Liliane Lima, Mariana de Araújo Neiva, Patrícia Selma e Victor Bernardes.

Música: Rene Bomfim e Francisco Lopes

Figurino: Tetê Alcândida

Cenário: Virgílio Mota e Nara Oliveira 

Produção: Cia Imaginária de Teatro, com apoio do Ponto de Cultura Invenção Brasileira.

Patrocínio: Fundo de Arte e Cultura do Governo do Distrito Federal e Construmax.

Apoio: Ministério da Cultura, Cultura Viva, SPPC.

Agradecimentos especiais: Thamires Borges e todos do Ponto de Cultura Invenção Brasileira, pelo apoio na realização deste projeto.

Escrito por EdiSilva às 11h34
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Amigos,

queria convidá-los para conhecer a página de "O Clube do Som (www.oclubedosom.com.br).
A página foi lançada em um show no Bar do Careca na última sexta-feira (16/03/2007). Algo maravilhoso e uma linda homenagem a Ceilândia.
Na página vocês poderão encontrar um pouco da história da família Vieira, artistas versáteis,
criativos e dotados de talento excepcional e que atuam em diversos campos, mas têm pela música um carinho especial e se dedicam a ela com muito amor. Isto é facilmente vislumbrado no grande trabalho que fazem.
As músicas de seu mais recente trabalho estão lá, em mp3, e podem dar uma idéia do que os Vieira e seu clube fazem.
Fiquei muito feliz (tanta emoção que nem consegui terminar de ler) com a grande e desproporcional homenagem que eles me fazem. Gostaria de poder corresponder a pelo menos uma parte do que eles dizem. Muito obrigado ao Neno (Osmi) e Déi (Oldair) e creio que o Iuri também está vibrando com vocês por este trabalho e pelo carinho (merecido) com
que ele é tratado na página.
Tem também uma reportagem sobre Francisco Morojó (Pezão). Acho que quem o conheceu ficará feliz com o texto e quem, como eu, infelizmente não pode conhecê-lo, saberá um pouco da sua história.
E meu amigo Zeca, que não vejo há algum tempo, também está lá.
Vida longa e próspera ao Clube do Som!

EdiSilva

Escrito por EdiSilva às 11h04
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24/03/2006


O espetáculo "O Romance do Pavão Misterioso" estará viajando para São Paulo entre os dias 05 e 10 de abril/2006, para apresentação dentro da TEIA de Cultura, Educação,Cidadania e Economia Solidária.
http://www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/cultura_viva/noticias/index.php?p=14134&more=1&c=1&pb=1
http://www.cultura.gov.br/sys/skins/cultura_viva_capa/img/cartilha_cultura_viva_pt-br.pdf

Escrito por EdiSilva às 17h48
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22/03/2006


Publicado no endereço: http://www.teatrocarioca.com.br
http://www.teatrocarioca.com.br/teatrocarioca/calandra.nsf/0/A7673538A5DACF2E832570DD0042BC1F?OpenDocument&pub=T

Prêmio Funarte de Dramaturgia/2005 - Veja os vencedores

Prêmio Funarte de Dramaturgia/2005
Premiados

Teatro Adulto

Região Norte/Centro-Oeste

Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
LAURA
EDIVALDO DA SILVA - BRASÍLIA/DF

2° colocado
UMAS POUCAS CENAS VISTAS DO CAOS
LOURENÇO PAULO DA SILVA CAZARRÉ - BRASÍLIA/DF

3° colocado
O FILHO DE NINGUÉM
ANTONIO ROBERTO GERIN - BRASÍLIA/DF

Região Nordeste



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
DE BRAÇOS CRUZADOS
EMMANUEL NOGUEIRA RIBEIRO - FORTALEZA/CE

2° colocado
BREVE FARSA CÍNICA SOBRE A CRUELDADE
CLAUDIO FORTES GARCIA LORENZO - SALVADOR/BA

3° colocado
NOITE SERENA DE LUA CHEIA
ORLÂNGELO LEAL MARTINS - ITAPIPOCA/CE

Região Sudeste



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
COM VISTA PARA DENTRO
ANTÔNIO SÉRGIO ROVERI - SÃO PAULO/SP

2° colocado
A CALMARIA
IVAN JOSÉ DE AZEVEDO FONTES - RIO DE JANEIRO/RJ

3° colocado
A VERDADE RELATIVA DA COISA EM SI
ROBERTO BASÍLIO DE MATOS - COTIA/SP

Região Sul



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
A UFANIA DO PECADOR
GABRIEL NEVES CAMARGO - PORTO ALEGRE/RS

2° colocado
ANDY/EDIE
DIONES RODRIGO RIBEIRO CAMARGO - PORTO ALEGRE/RS

3° colocado
40
CARLOS EDUARDO SILVA - FLORIANÓPOLIS/SC

Teatro Para a Infância e Juventude





Região Norte/Centro-Oeste



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
O POEMA DO CAMINHÃO
SEBASTIÃO VICENTE DOS SANTOS - BRASÍLIA/DF

2° colocado
CAFUNDÓ E BONITÃO
ADRIANO BARROSO DOS SANTOS - BELÉM/PA

3° colocado
LUDIQUE
CARLOS CORREIA SANTOS - BELÉM/PA






Região Nordeste



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
PEDRO E A COBRA-DE-FOGO
ANTONIO SERGIO NUNES FIGUEIREDO - SALVADOR/BA

2° colocado
UMA HISTÓRIA MUITO ANTIGA
JOSÉ MARIA MAPURUNGA FILHO - FORTALEZA/CE

3° colocado
LUZIA NO CAMINHO DAS ÁGUAS
ALEXSANDRO SOUTO MAIOR DE MACÊDO - OLINDA/PE






Região Sudeste



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
ALICE & GABRIEL
JAIME CELIBERTO - SÃO CAETANO DO SUL/SP

2° colocado
A FLOR DO CERRADO
SILVANA DE SOUZA LIMA - CABO FRIO/RJ

3° colocado
O CADARÇO LARANJA
MILTON MORALES FILHO - SÃO PAULO/SP






Região Sul



Classificação
Título da Obra
Autor

1° colocado
MEU MUNDO DE FIO DE LÃ
PAULO RICARDO DA SILVA ROMERA - PORTO ALEGRE/RS

2° colocado
UMBERTO, DOISBERTO, TRÊSBERTO
JOCEMAR DE QUADROS CHAGAS - FLORIANÓPOLIS/SC

3° colocado
ACHADOS E PERDIDOS
RENATO PAULO CARVALHO SILVA - CURITIBA/PR

Escrito por EdiSilva às 16h01
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14/03/2006


O Velho Ex-presidente (EdiSilva)

O velho ex-presidente desceu do carro e olhou para o grande edifício à sua frente. Acariciou com os olhos a sua arquitetura moderna e pensou que valera a pena o investimento, mesmo que ele não soubesse exatamente de quanto. Felizmente não teve a necessidade de pagar pelo imóvel e nem pela sua manutenção. A vantagem de se fazer grandes e bons amigos durante a vida.

Entrou no edifício e, enquanto aguardava que o elevador o conduzisse à sua sala, lembrou-se do sonho que tivera durante a noite. Estremeceu só de pensar que pudesse ser verdade.

Ao chegar em sua sala, a secretária serviu o seu cafezinho habitual e os dois assessores vieram cumprimentá-lo e adiantar as novidades e a agenda do dia.

O velho ex-presidente sentou-se em sua poltrona e começou a ler o jornal, no que foi acompanhado pelos assessores e a cada notícia, principalmente sobre política, faziam comentários entre si, às vezes rindo, outras vezes sérios e preocupados com a situação do país.

Em um dado momento, diante de uma notícia incômoda sobre o atual governo, o velho ex-presidente levantou os olhos do jornal, lembrando-se do sonho da noite passada. Extremeceu novamente. Mostrou a notícia que falava sobre a suspeita que se levantava contra deputados que receberiam mesadas para votar a favor do governo e verbas que seriam arrecadadas para fazer caixa de campanha. Com os olhos fixos nos assessores, perguntou se aquilo havia acontecido no governo dele. Diante da negativa dos colaboradores, insistiu que queria saber por eles e não por alguma notícia de jornal. Os assessores negaram novamente, assegurando que o velho ex-presidente não seria surpreendido com uma notícia como aquela nos jornais. Ele, mais tranqüilo, abaixou novamente os olhos e continuou a leitura do jornal. Os assessores se entreolharam desconfiados e cada um abaixou os olhos também e continuou a leitura. Já sem o ânimo de antes.

Escrito por EdiSilva às 16h42
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